ALMAS ESPECIAIS

DIVULGUEM - Associação Mineira de Hipertensão Pulmonar

24 agosto 2011

ENDOMETRIOSE TORÁCICA – DOENÇA RARA E DE DIFICIL DIAGNOSTICO

As mulheres portadoras de endometriose muitas vezes são tristes, cansadas, deprimidas e isso devido ao quadro doloroso e crônico que muitas vezes não respondem a analgésicos comuns o que obriga a procurar ajuda sistematicamente para terem suas dores atenuadas. As dores podem ocorrer antes ou durante o período mestrual. Ela surge de repente, trazendo transtorno fisico, psíquico para a paciente. Aproximadamente 20% das mulheres tem apenas dor, 60% tem dor e 20% pode sentir dor tipo cólica mestrual intensa, dor abdominal durante a prática sexual.
Em geral, a endometriose costuma afetar só o revestimento da cavidade abdominal ou a superfície dos órgãos abdominais. O tecido endometrial que cresce fora do lugar (implante endometrial) muitas vezes desenvolve-se sobre os ovários e os ligamentos que sustentam o útero. Com menos frequência, pode fazê-lo na superfície externa dos intestinos delgado e grosso, nos ureteres (canais que vão desde os rins até a bexiga urinária), na bexiga, na vagina, nas cicatrizes cirúrgicas presentes no abdômen ou no revestimento interno da parede torácica (pleura). Em casos muito raros, pode ser encontrado tecido endometrial nos pulmões. (COSTA, 2008)
As queixas mais freqüentes entre as portadoras de endometriose são: dismenorréia (cólicas), dor pélvica crônica, esterilidade, irregularidade menstrual e dispareunia (dor durante a relação sexual). Alterações urinárias e intestinais cíclicas também são encontradas, como dor à evacuação, diarréia, disúria perimenstrual (dor durante a micção no período menstrual), poliáciúria (aumento da freqüência miccional), urgência miccional e hematúria (emissão de sangue através da uretra, acompanhado ou não pela urina). A endometriose lidera as causas de infertilidade entre mulheres acima dos 25 anos, sendo possível que aproximadamente 30 a 40% das mulheres inférteis tenham algum grau de endometriose. (MULLER; MATTA, 2006)

A patogênese da endometriose tem sido explicada por diversas teorias que apontam para a multicausalidade, associando fatores genéticos, anormalidades imunológicas e disfunção endometrial. (BRASIL, 2010).

A teoria mais aceita para explicar o desenvolvimento da endometriose é a teoria da implanta¬ção, descrita por Sampson, em 1927. De acordo com este autor, ocorreria o refluxo de tecido endometrial através das trompas de falópio durante a menstruação, com subseqüente implantação e crescimento no peritônio e ovário. Um estudo recente, confirmando a teoria de Sampson, verificou que a distribuição dos implantes endometrióticos é assimétrica e relacionada tanto com a anatomia abdo¬minopélvica quanto com o fluxo do líquido peritoneal. Um dos aspectos discutidos a respeito dessa teoria é que, embora 70 a 90% das mulheres apresentem menstruação retrógrada, apenas uma minoria irá desenvolver a doença. Isso sugere que outros fatores – genéticos, hormonais ou ambientais – poderiam determinar uma maior suscetibi¬lidade para desenvolver a doença. A expressão aumentada de genes envolvidos com o mecanismo de apoptose celular, como o c-fos, por exemplo, pode aumentar a sobrevida dessas células dentro da cavidade peritoneal que, intera¬gindo com moléculas de adesão, irão se aderir à superfície peritoneal. A presença de quantidades elevadas de macrófagos no líquido peritoneal pode também estar associada à secreção de diversas citocinas, fatores de crescimento e de angiogênese, que culminarão na implantação e invasão desse tecido endometrial ectópico. (NACUL; SPRITZER, 2010)

Endometriose torácica, segundo COSTA, 2008

A endometriose torácica é definida pela presença de tecido endometrial no pulmão ou pleura, e é caracterizada por hemoptise cíclico ou hemotórax ou pneumotórax recorrentes ocorrendo com a menstruação. Sendo uma entidade clínica rara, nem sempre é considerada no diagnóstico diferencial quando estes sintomas são avaliados. Os exames realizados durante o trabalho de diagnóstico freqüentemente mostram alterações inespecíficas, porém um diagnóstico presuntivo pode ser feito com base na história clínica típica. A chave para o diagnóstico são os sintomas catamenial/menstruação, portanto, uma história clínica minuciosa é essencial para alcançar prontamente o diagnóstico correto.

Manifestações clínicas

A endometriose torácica manifesta -se clinicamente por sintomas de ocorrência cíclica geralmente nos dois primeiros dias da menstruação.
Afeta mais frequentemente a pleura e o tecido pulmonar subpleural, manifestando-se como pneumotorax e hemotorax catameniais (73% e 14% dos casos, respectivamente). O pneumotorax associado à endometriose estima-se que represente 2,8 a 5,6% de todos os pneumotorax espontâneos nas mulheres. Mais raramente, a doença ocorre exclusivamente a nível intrapulmonar, manifestando-se por hemoptises catameniais (7% dos casos) ou nódulos pulmonares assintomáticos (6%). A dor torácica e frequente, afetando 90% das doentes. A dispnéia e mais rara, sendo referida apenas num terço dos casos.
A incidência das lesões pleurais e parenquimatosas, apesar de poderem ocorrer bilateralmente, parece serem mais frequentes do lado direito.

Diagnóstico diferencial
Antes de assumir o diagnostico de endometriose torácica, deverão ser excluídas algumas patologias com sintomas semelhantes. Para a endometriose pulmonar, o diagnostico diferencial deve ser feito com patologias que causem hemoptises recorrentes, nomeadamente tuberculose, bronquiectasias, neoplasias e síndrome de Goodpasture.
O diagnostico diferencial do pneumotórax inclui o pneumotórax espontâneo primário, o pneumotórax espontâneo secundário por outras etiologias e o pneumotórax por traumatismo.
Chama-se, no entanto, a atenção para o fato de o pneumotórax catamenial poder ocorrer sem estar associado à endometriose, sendo presumivelmente causado pela passagem de ar do trato genital feminino para o peritônio e dai para o tórax através dos defeitos congênitos na hemicupula diafragmática direita.

Diagnóstico
A chave para o diagnostico desta patologia e o caráter catamenial dos sintomas. Deve suspeitar-se de endometriose torácica em mulheres em idade fértil que surgem com um quadro clinico de episódios recorrentes de dor torácica, pneumotórax, hemotórax ou hemoptises coincidentes com a menstruação.
A confirmação diagnostica e geralmente difícil de obter (menos de um terço dos casos).
Pode ser feita pela demonstração histológica de tecido endometrial a nível pulmonar ou pleural ou pela demonstração citológica de células endometriais no liquido pleural, no aspirado de massas/nódulos pulmonares ou no lavado brônquico/bronco alveolar.
Os restantes dos exames complementares de diagnostico são com freqüência inconclusiva. Assim, o diagnostico e geralmente presuntivo e baseado nas características clinicas clássicas, sendo frequentemente atrasado pela ausência de reconhecimento da associação dos sintomas com a menstruação.


Os exames laboratoriais geralmente não revelam alterações, podendo, no entanto existir uma elevação dos níveis séricos do marcador tumoral CA125. Os exames radiológicos podem mostrar alterações que variam de forma e tamanho com o ciclo menstrual. Na forma pulmonar, o Rx tórax e na grande maioria dos casos normal, embora raramente possam surgir nódulos solitários ou múltiplos que mudam de tamanho de forma cíclica.

Tratamento

O tratamento da endometriose torácica tem como objetivo suprimir o tecido endometrial e prevenir a sua disseminação. A escolha do tipo de tratamento a administrar deve ter em consideração a idade da doente, o desejo futuro de engravidar, a freqüência de recorrência e a gravidade dos sintomas. O tratamento médico, quando eficaz, apóia o diagnostico clinico de endometriose sempre que o diagnostico histológico não e possível.
Para a endometriose pulmonar, o tratamento médico e considerado a terapêutica de primeira linha. Baseia-se na supressão do tecido endometrial ectópico através da interrupção da secreção de estrogênios pelos ovários.

O tratamento cirúrgico constitui uma medida terapêutica definitiva e deve ser considerado perante a falência do tratamento medico a existência de efeitos secundários graves do tratamento, a recorrência apos suspensão da terapêutica hormonal ou se a doente desejar engravidar.

Tratamento hormonal e cirurgia são os dois pilares da terapia para esta patologia.


Referencias

BRASIL. Portaria SAS/MS no 144, de 31 de março de 2010. Endometriose. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_endometriose_livro_2010.pdf.

COSTA, Filipa e MATOS, Fernando. Endometriose torácica. Rev Port Pneumol. [online]. jun. 2008, vol.14, no.3 [citado 22 Agosto 2011], p.427-435. Disponível na World Wide Web: . ISSN 0873-2159.

MULLER, Marisa C; MATTA, Adriana Z.. Uma análise qualitativa da convivência da mulher com sua endometriose. Scielo - PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2006, 7 (1), 57-72. Disponível em: http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/psd/v7n1/v7n1a04.pdf.

NACUL, Andrea P.; SPRITZER, Poli M.. Aspectos atuais do diagnóstico e tratamento da endometriose. Rev Bras Ginecol Obstet. 2010; 32(6):298-307. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v32n6/v32n6a08.pdf

3 comentários:

  1. Olá menina
    É sempre bom ficar sabendo das coisas.
    Beijos

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  2. shiiiiiiiiiii Wanderley!


    Não consegui deixar comentário em teu blog... No meu só consegui como anônima PODE!!!!!!

    Muito obrigada pela visita! Beijos

    Clecilene Carvalho

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  3. existe endometriose na face?

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